segunda-feira, 24 de novembro de 2008

5. Cloaca: o jogo na cultura pós-industrial

Enquanto Moretti pedia aos espectadores para participarem na produção, o nível de interação pública exigido em Happy Berlin (Free Massage), de Surasi Kusolwong, de 2001, era simplesmente submeter ao serviço gratuito oferecido pelos profissionais colaboradores do artista: uma massagem. Kusolwong, da Tailândia, promove uma arte igualitária e inclusiva, enquanto cuida das necessidades de seus visitantes. A participação em forma de 'jogo' na Instalação de Moretti levava os participantes a aceitarem um jogo aparentemente aberto que estimulava a inventividade. Marshall McLuhan, teórico da mídia, tinha previsto o crescente desejo dentro da cultura pós-industrial para participar de jogos, um argumento que ele estende para o mundo da pesquisa científica: 'O mundo da ciência tornou-se bastante consciente do elemento brincadeira em seus intermináveis experiências com modelos de situações que, caso contrário, seriam inobserváveis'. É através do modo partilhado de 'jogo' que os artisgas e c ientistas descobriram talvez as parcerias mais intrigantes. A profundidade da pesquisa fornecida neste campó atraiu inúmeros artistas a formarem novas relações e colaborações. Em particular, a necessidade absoluta de processo e jogo na pesquisa científica fornece um paralelo útil para a prática artística. O artista belga Carsten Höller tem formação como cientista. As instalações dele combinam a linguagem rigorosa da c iência com a experimentação lúdica. Wim Delvoye, também da Bélgica, partilha o engajamento de Höller com a pesquisa, culminando no que justificadamente é seu trabalho mais provocativo, Cloaca (2001), mostrado no New Museum of Contemporary Art em Nova York e na Suíça. O trabalho era uma máquina complexa que comentava tanto os métodos de fabricação, quanto nossa repulsa pelo que é expelido pelo corpo. A máquina replicava o trato digestivo humano e era alimentada com uma dieta cuidadosa de alimentos preparados na cozinha adjacente. Isso passava por várias etapas químicas, cada uma claramente visível para o público, até que o aparato produzisse exemplos perfeitos de excrementos. O trabalho também jogava com a idéia de participação, pois precisava ser continualemtne alimentado para produzir edições que o público poderia levar. Ao público era oferecido o que não quer como subproduto do processo artístico. Enquanto Cloaca usa métodos científicos e tecnologia de fabricação para seus próprios fins, Polar (2000) uma colaboração entre Marko Peljhan e Olaf Nicolai, buscava utilizar a ciência como meio de revelar novos relacionamentos entre arte e tecnologia.

Nicolai/Peljhan »polar«  polar (Installationsansicht)

Polar, Marco Peljhan e Olaf Nicolai.

Exibido em Tóquio, foi representado por uma instalação que revelava a internet em tempo real. Os artistas a comparavam com o mar no conto de Stanislav Lem que se tornou a base para Solaris de Andrej Tarkovsky. Peljhan, da Eslovênia, e Nicolai, da Alemanha, declararam: 'Queríamos criar uma interface entre a matriz e os sentidos humanos e o corpo'.

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