segunda-feira, 24 de novembro de 2008

6. Fertilização cruzada

Para aqueles que acreditam que a interatividade social poderia fornecer uma solução não problemática para o futuro da arte, Bourriaud adverte: 'Agora que a ideologia dos links da internet e do contato contínuo se alastrou pela economia globalizada... quanto radicalismo crítico resta ao trabalho baseado na socialização e no convívio?' Ele defende um tipo de mostra que trate de 'uma nova problemática', aquela da coexistência de seres humanos, objetos e formas, a qual gera um significado específico'. A exposição não é simplesmente um meio para o convívio, mas para Bourriaud ela age como uma 'ferramenta cognitiva', uma forma de gerar sentido e conteúdo.
As instalações do artista alemão Christian Hankowski parecem dar suporte ao argumento de Bourriaud. O encontro com outros leva a uma série de diálogos que transformam o resultado de seus trabalhos. Em Mein erstes Buch: Inszeniertes Schreiben (Meu Primeiro Livro: Escritos Encenados, 1998), Jank0wski senta-se em uma galeria e convida vários consultores especialistas a o ajudarem a escrever seu primeiro romance. O artista não está fazendo uma 'performance', mas sim, envolvido no processo de escrever ou em discussões.
A questão de processo como uma forma de diálogo entre artistas, colaboradores e públicos é de fundamental importância para muitas instalações contemporâneas. O que se pretende aqui é sugerir que a forma do trabalho artístico se tornou secundária a seu trajeto e duração. Fluidez tornou-se a palavra de ordem no novo milênio e é indicativa da falta de fronteiras. Não é de surpreender que os artistas queiram trabalhar com limites flexíveis, um desejo que começa a explicar o surgimento do projeto-arte que pode assumir qualquer forma, ocorrer em qualquer lugar e, como afirma Rirkrit Tiravanija, incluir 'muita gente'. Além disso, o desenvolvimento do público como um local, ou seja, o centro e significado do trabalho, resultou em uma mudança das questões estéticas e da história da arte para uma preocupação com a integração social da instalação. A fertilização cruzada entre disciplinas, a troca entre curadores e artistas e a interação com públicos como meio de gerar o trabalho em si foram instrumentais para definir a arte da Instalação. O curador chinês Hou Nanru afirma que 'estamos contribuindo, direta e conjuntamente, para o desenvolvimento de situações'. Tais 'situações' baseadas na troca e na interação são testemunho da abordagem aberta e inclusiva na arte da Instalação no novo milênio.

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