quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O que te toca em 2009? O que te toca para 2009?

A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.
(Excerto de um texto de Jorge Larrosa Bondia, Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Quem me mandou foi a mesma pessoa que fez as fotos, minha querida Livia Lima, colaboradora do Dulcinéia.)



E as fotos fazem parte do registro de uma intervenção no Largo da Batata, em Pinheiros, Sampa, feita em junho deste ano. A intervenção foi a primeira de uma série cujos registros esperamos apresentar em 2009. Salve!





quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Dulcinéia viaja pela América Latina

Foto: Ana Dangelo

Os livros confeccionados pelo coletivo brasileiro radicado em São Paulo Dulcinéia Catadora ganharam estrada neste final de ano. O projeto foi apresentado durante o II Encontro de Jornalismo para o Desenvolvimento Sustentável na América Latina, promovido pela ONG Avina, em Cartagena das Indias, Colômbia.

Marvadas, de Sebastião Nicomedes, Auto-retrato aos 90, de Manoel de Barros, Sarau, dos poetas da Cooperifa, haikais e outros tantos títulos de autores do nosso continente editados com papel reciclado e capas de papelão pintadas a mão pelos artistas do Dulcinéia Catadora foram recebidos com encantamento pelos 60 jornalistas latino-americanos presentes no encontro.

“É maravilhoso ver este trabalho, vou levar a Guadalajara, quem sabe a idéia não se espalha por lá”, comentou o jornalista mexicano Agustín Del Castillo. A fotógrafa colombiana Olga Rodriguez levou dois exemplares de haikais para seus netos e adorou as capas únicas, conservando ainda a rasura do papelão recolhido nas ruas de São Paulo. Os livros viajaram ainda para a Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile. “Esta é uma proposta genial que ganha adeptos por onde passa, como um vírus, vai contagiando as pessoas pela arte, pela alegria”, disse o professor de Economia da Universidade Iteso do México e colunista do diário Milênio, Luiz Miguel Gonzalez.

A rádio boliviana ligada a Fundação Amigos da Natureza gravou reportagem sobre o selo editorial brasileiro, tratando da sua origem, público envolvido e o princípio da convivência de diferentes universos que orienta o Dulcinéia Catadora.

A partir do ano que vem, o Dulcinéia Catadora estará também na biblioteca da Casa Daros Rio de Janeiro, centro cultural de arte contemporânea que será inaugurado na capital fluminense, com foco na produção latino-americana.


Ana Dangelo